05 outubro, 2008

Cadê o Décio?

Durante toda a campanha pela Prefeitura de Blumenau ouvimos o candidato Décio Lima repetir, quase como um mantra, que é preciso “respeitar a democracia e o resultado das urnas”, aludindo a sua pretensa vitória, cantada muito antes da hora.

Pois bem, com as urnas completamente apuradas, tivemos os seguintes resultados:

João Paulo Kleinubing - 63,67%
Décio Lima - 27,59%
Ivan Naatz - 7,72%
Dari Diehl - 0,72%
José Ouriques - 0,29%

Ainda antes do resultado final, que demonstrou uma vitória esmagadora do candidato Kleinubing, Décio Lima foi procurado pela TV Galega para comentar os números da apuração.

Nem ele nem a sua assessoria de imprensa foram localizados para comentar. E mais: Décio Lima foi “curtir” sua derrota onde? Itajaí. Sim, o agora ex-candidato a prefeito de Blumenau foi acompanhar a apuração e a sua derrota em Itajaí!

Ao negar entrevista por ocasião da apuração, como homem público (que infelizmente é), Décio Lima mostrou o valor que o candidato dá para a democracia: nenhum.

Ficou durante os últimos anos em Itajaí, veio apenas para disputar o pleito e, após a indiscutível derrota, voltou para Itajaí para amargar sua derrota. E aí, ele demonstra o valor que dá para a nossa cidade: nenhum!

Lembrem do que ele fez nessa campanha. Infelizmente, eles vão voltar.
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02 outubro, 2008

Debate na RBS

O debate da RBS TV abre com a promessa de que seguiria a mesma linha do evento promovido pela RIC Record.

Já na primeira pergunta, feita pelo candidato do PTC José Ouriques ao candidato Décio Lima, fica claro que os opositores da administração atual estão “fechados” numa estratégia e ardil ridículos. Funciona da seguinte forma: um faz uma pergunta para o outro, não para saber a posição de determinado candidato sobre um certo assunto, mas apenas para fazer críticas ao candidato Kleinubing, que por sua vez não pode responder.

E então, o candidato do PT retoma a velha estratégia de Lênin: “Acuse os adversários do que você faz, chame-os do que você é!” Nada mais previsível, uma vez que só se espanta com o que ocorre quem desconhece por completo o passado do PT. Foi assim do início de sua participação no debate até suas considerações finais.

Com uma ou outra exceção, a tática dos candidatos de fazerem críticas ao governo escondidas em perguntas entre eles continua. O segundo bloco começa com assuntos pré-determinados, o que jogou um balde d`água fria nesse estratagema.

Entretanto, o terceiro bloco segue a mesma linha do primeiro: assuntos livres escolhidos pelos candidatos. Isto dá a brecha para a retomada das pérfidas maquinações.

E aí, a confusão reina. Há críticas a deputados que votaram contra certa medida (que seria de interesse da nossa cidade, claro), elogios à deputada da Ana Lima, e críticas o PMDB, tudo misturado e com o único propósito de manchar o candidato do governo por vias marginais. Coisa que demostra covardia intelectual.

No meio do debate ocorreu algo que me chamou a atenção de forma bastante particular. Vejam só: o candidato Kleinubing rebateu de forma firme as falácias a respeito da questão do transporte coletivo, em especial das bravatas do advogado Ivan Naatz, que fala para quem quiser (e para quem não quiser ouvir também, oras) que ele vai derrubar o reajuste das passagens concedido neste ano. João Paulo esclareceu, em resposta, que há parecer do promotor público, afirmando que não houve nenhuma ilegalidade e que o aumento poderia ser concedido. Ivan Naatz mentiu ao responder que não há decisão nenhuma e que ele nunca perde uma causa. Olhem por si:

http://blumenau.tj.sc.gov.br/cpopg/pcpoResultadoPG.jsp?CDP=0800076L10000&nuProcesso=8080027935&nuRecurso=0&cbPesquisa=NMPARTE&cdForo=8

Ivan Naatz perdeu em primeira instância e está agravando no TJ/SC:

http://tjsc6.tj.sc.gov.br/cposg/pcpoResultadoConsProcesso2Grau.jsp?CDP=01000BH220000&nuProcesso=20080168241&cbPesquisa=NMPARTE&tpClasse=J

O TJ, então, pediu para ouvir o Ministério Público:

http://www.mp.sc.gov.br/pgjInternet/index.jsp?CDP=010004DVV0000

E qual o parecer do MP? “Ante o exposto, opina o Ministério Público pelo conhecimento e desprovimento do agravo interposto (por Ivan Naatz), mantendo-se incólume a decisão interlocutória combatida (a manutenção do reajuste).”

Que coisa feia, candidato...

Aliás, covardia e mentira eram as palavras de ordem no debate. O único que se ateve ao debate e que respondeu de forma objetiva às perguntas, foi o candidato João Paulo. O resto? Um bando de aventureiros pintados de vermelho. Nada menos que isso.
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PT de Blumenau e Lênin, tudo a ver

Quando eu promovo minhas investidas contra esse pessoal, chamam-me de neurótico.

- "Ah, o comunismo acabou em 89."
- "Comunismo só existe sem propriedade privada."

Besteira. Querem ver? Percam um pouco de tempo para ler este pequeno texto e contextualizar o que ocorre aqui na nossa cidade.

Lênin, cujos partidários eram os bolcheviques (desde a Revolução Russa de 1917 até sua morte em 1923, os camaradas mataram 1.421.802 russos), a pior vertente dos comunistas, escreveu em 1913 um "Manual do Revolucionário". Alguns dizem que foi em 1901 ou 1902 (no "Que Fazer?"). Não importa. Continua extremamente atual e, o que é pior, próximo de nós. Como?

Vamos analisar a atuação do PT nos últimos anos, não só nesta campanha, mas o que fizeram durante o governo Democrata, comparando com os ensinamentos do "camarada" Lênin:

a.) "3. Divida a população em grupos antagônicos, incitando-os a discussões sobre assuntos sociais;" - O que o PT vêm fazendo, não só aqui na nossa cidade, mas no Brasil? O partido polariza a discussão política: índios contra não-índios, negros contra brancos, homossexuais contra heterossexuais e vice-versa. Isto cria uma confusão estratégica, pela qual brigamos. É o velho "dividir para conquistar". Como resultado, quem cria e se apodera do monopólio da "questão social"? A esquerda. Só ela pode falar em nome dos pobres, dos famintos. Isso era feito há 90 anos, e continua sendo feito hoje.

b.) "5. Fale sempre sobre Democracia e em Estado de Direito, mas, tão logo haja oportunidade, assuma o Poder sem nenhum escrúpulo;" - O que aconteceu em 1996? Décio Lima e Renato Vianna têm muito a esclarecer ao povo de Blumenau.

c.) "7. Promova greves, mesmo ilegais, nas indústrias vitais do País;" - O blumenauense é um povo trabalhador, avesso às brigas mesquinhas e sem sentido, contrário a atos vis de revanchismo, sabotagem e vingança. O blumenaunse tem caráter. Lembram da greve dos trabalhadores do transporte coletivo? A interferência alienígena ficou clara: reinvidicações absurdas em cima de levantamentos falsos (qualquer semelhança com "Das Kapital", de Marx, e seus "fantásticos" blue books invertidos não é mera coincidência) e atos de sabotagem, como pneus furados, sujeira nos tanques de combustível dos ônibus, janelas quebradas. Tudo isso não condiz com o povo de Blumenau, que é construtor, e não destruidor. Isso foi feito na Alemanha em 1918, na Inglaterra e EUA em 1945, e infelizmente foi feito aqui também.

d.) "10. Procure catalogar todos aqueles que possuam armas de fogo, para que elas sejam confiscadas no momento oportuno, tornando impossível qualquer resistência à causa." - O movimento pelo desarmamento, que o governo tentou e continua tentando, não é ato isolado, mas faz parte de uma grande estratégia.

Finalmente, e talvez o que é mais importante e emblemático: a tática leninista, "Acuse os adversários do que você faz, chame-os do que você é!", é empregada novamente, e, desta vez, invade nossas casas durante o horário político.

No início da campanha, Décio e o PT acusaram a coligação encabeçada pelos Democratas de proferirem calúnias e injúrias, baixando o nível da campanha. Pois bem, não só os Democratas não fizeram isto, como foi o próprio PT que partiu para a baixaria.

Não tenham dúvidas: o PT, e por conseqüência, seus correligionários, são fiéis súditos de Lênin. Se deixarmos eles voltarem para a Prefeitura de Blumenau, seremos seus cúmplices.

[]s
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21 julho, 2008

Criminosos Ingleses

Os americanos optaram pelos bombardeios estratégicos diurnos, mesmo estes envolvendo enormes riscos, enquanto os ingleses optaram pelos bombardeios noturnos cujos objetivos deliberados eram os civis, nos seus "tapetes de bombas".

Eaker(general Ira C. Eaker, Americano) rechaçou energicamente a petição inglesa de que as suas fortalezas voadoras tomassem parte nos ataques nocturnos britânicos contra as cidades alemãs. A isto se deve que o plano conjunto aliado de ofensiva aérea contra a Alemanha se levasse a cabo de noite pelos ingleses e, de dia, pelos americanos. Cada um estava convencido que tinha razão e que seu aliado estava enganado; deste modo, cada um podia “sair-se com a sua”: o general Eaker com os seus bombardeamentos diurnos, e o marechal Harris com os nocturnos.

Este trecho está no livro “A História da Luftwaffe”, de Cajus Bekker (1964), nas páginas 384 e 385. O livro continua:

Sir Arthur Harris (...) foi nomeado chefe do Comando de Bombardeio da RAF, em 22 de Fevereiro de 1942. Ao tomar conta do seu novo cargo, encontrou uma ordem do Ministério da Guerra britânico segundo a qual a ofensiva de bombardeamento contra a Alemanha devia levar-se a cabo “sem limites”. Com isso tinha-se atravessado um umbral que não admitia retrocessos.

Ainda do livro “A História da Luftwaffe”:

O então sub-secretário do Ministério do Ar, J. M. Spaight, escreve no seu livro publicado em 1944 ‘Bombing Vindicated’ (‘Justificação do Bombardeamento’):

A acção dos bombardeios, foi levada a cabo contra o critério francês. Fomos nós que começamos a bombardear objectivos na Alemanha, antes que os alemães o fizessem em Inglaterra. Este é um facto histórico... Com isso, escolhemos o melhor caminho mas o mais duro. Enquanto que por um lado castigávamos as cidades alemãs, reivindicávamos o direito de manter intactas as nossas... Não existe uma certeza absoluta, mas parece muito verossímil que os alemães não teriam bombardeado Londres e as zonas industriais, se nós nos tivéssemos abstido de bombardear o seu país... Esta orientação da guerra aérea não era demasiada atraente.

Este texto está nas páginas 385 e 386 do livro citado.

Tendo isto em mente, lembremos que a primeira bomba alemã jogada em Londres foi devido a um erro de navegação de um avião alemão apenas, fora do perímetro urbano e nenhuma instalação, industrial ou não, atingiu. A isso, seguiu-se o bombardeio noturno inglês de objetivos civis alemães. Isto está bem registrado também e corroborado pelas palavras de Spaight.

E segue a condução criminosa dos bombardeios ingleses:

Para desvanecer qualquer erro ou dúvida, o chefe do Estado Maior da RAF, marechal-do-ar, Sir Charles Portal, escreveu pelo seu próprio punho um aviso em que dizia que o verdadeiro objectivo não eram somente os estaleiros e as fábricas de aviões, mas também os bairros densamente povoados das cidades.” – página 387.

Daí a sua famosa frase: “Isto deve ficar completamente esclarecido, se é que ainda há quem o não tenha compreendido.

E mais:

Os patrocinadores do “Bombardeio Indiscriminado” viram nele (Sir Arthur Harris) o homem mais adequado para levar a cabo os seus planos até as últimas conseqüências. Por fim, a RAF, como se dizia nessa altura, “tinha tirado as luvas”.” – página 387.

(...)

De noite, carecia-se da suficiente precisão para atacar objectivos militares, mas não se tentava atacá-los, e sim bombardear grandes superfícies. Cidades inteiras seriam arrasadas.

À exceção de Essen – escrevia o marechal Harris – nunca escolhemos uma determinada instalação industrial como objectivo dos nossos bombardeamentos nocturnos. A destruição de fábricas vinha a ser como uma espécie de prêmio extraordinário que nos era dado por acréscimo. O nosso verdadeiro objectivo era sempre o núcleo populacional, o interior das cidades.” – página 389.

(...)

O marechal Harris interpreta assim as directrizes de Casablanca: “Depois da conferência de Casablanca desapareceram os meus últimos escrúpulos e dei-me inteira liberdade para o bombardeio.” – página 390.

(...)

“É certo que muitas cidades alemães estavam em ruínas, mas... tinha-se conseguido atingir o objectivo previsto? Tinha-se conseguido abater a resistência moral do povo alemão? Nada disso! Depois dos últimos ataque que foram levados a cabo, especialmente o efectuado contra Aquisgran em 13 de Julho, efectuou-se uma pausa. Era evidente que a RAF estava a repor-se e a tomar alento. Harris preparava-se para o maior dos seus golpes.
” – página 392, referindo-se a Hamburgo e sua destruição, chamada pretensiosamente de “Operação Gomorra”.

Com ou sem Dresden, toda a campanha inglesa de bombardeamento noturno foi um crime, do início ao fim.

02 agosto, 2007

Assassino de Alemão

Veja o vídeo abaixo e preste atenção na atitude absolutamente orgulhosa do protagonista do filme. Lamentável e deprimente.

http://br.youtube.com/watch?v=6Zkg3LJOrzc

[]s

29 janeiro, 2007

Alte Kameraden


A marcha Alte Kameraden (Velhos Camaradas), escrita em 1889 por Carl Albert Hermann Teike é, sem dúvida, a mais internacional, conhecida e tocada marcha militar da história.

Carl Teike, nascido em 05.02.1864 na Pomerânia, na cidade de Stettin-Altdamm, era o quarto filho de um ferreiro. Começou a estudar música aos 14 anos e aos 19 ele entrou para o Exército de Württemburg (que fazia parte do XIII Corpo do Exército Imperial Alemão), onde serviu como músico no 123º Regimento, o Regimento König Karl (Rei Carlos).

Alte Kameraden foi então escrita quando ele fazia parte do regimento e foi desaprovada pelo comandante da banda, o que fez com que Teike deixasse o Exército.

Se tornou policial em Ulm, para morrer em 22.05.1922.

A música pode ser encontrada neste endereço, bem como sua letra:
http://ingeb.org/Lieder/altekame.html

18 janeiro, 2007

Chiangwego


Chiangwego, segundo filho do General Chiang-Kaishek, então governante da China, recebe instruções em Garmisch-Partenkirchen, Baviera, junto a caçadores montanheses.

Chiangwego já possuía patente notável de oficial no Exército chinês, falava muito bem o alemão, sempre foi um camarada cordial e sociável e um campeão no tiro ao alvo.

Certa noite, a turma 6 da Kriegsshule de Munique participou da Anstich (festa da cerveja) em uma noite de festa e os bávaros, acostumados a soltar mais a língua após o décimo chope, pegaram Chiangwego no ombros e, sob aclamações elogiosas, o carregaram por todos os grandes salões. "Viva o Japão!", gritavam eles. Logo Wego, cujo país era o maior inimigo do Japão...

Após ser "solto", Chiangwego sorria, ajeitava sua gravata borboleta, como se nada tivesse acontecido, e continuava sorrindo. Martin Drewes tentou pedir desculpas pelo incidente e foi acalmado pelas palavras de Wego, ainda sorrindo:

"Martin, se nós tivermos os nossos 600 milhões (na época) tão na mão pela propaganda e disciplina, nós botamos o mundo no bolso!"

Fonte: Sombras da Noite, de Martin Drewes (Ed. Adler, 2002)

22 novembro, 2006

Crianças mortas
















Mortos em bombardeio.















Colônia. Os impunes exterminadores obtiveram grandes vitórias no meio da população civil. Várias vitórias diárias. Na foto, pequenas vítimas de um bombardeio de grande sucesso.

À espera de identificação
















Os mortos, após os bombardeios, eram reunidos nos locais públicos de cada bairro, para identificação e posterior enterro, conforme a foto, aparecendo no fundo enorme quantidade de caixões. Com a intensificação dos bombardeios ainda em 1942, este trabalho se tornou praticamente impossível.

Cidade fantasma
















Montanha de escombros de uma cidade não identificada. Quantas pessoas estão debaixo das ruínas?

Mortos em Berlim




















Berlim. Civis mortos numa rua, aguardando identificação.





















Berlim. A procura de cadáveres no meio dos escombros.

Mortos em Dresden



Dresden. Mortos por toda parte. Duas carroças descarregam cadáveres que são empilhados ao lado do poste.



Dresden. Mortos espalhados pelas ruas de uma cidade fantasma. Pessoas no trabalho de identificação, enquanto a carroça se aproxima de pilhas de cadáveres que estão sendo incinerados para evitar epidemias.



Dresden. Pilhas de cadáveres aguardando incineração.



Dresden. Mais mortos e destruição. No fundo, mais incinerações.



Dresden. Entre os mortos e nova pilha de cadáveres sendo incinerados, aparece um pequeno monte, possivelmente os restos de civis já queimados.

Mainz



Cidade de Mainz, na manhã seguinte ao primeiro ataque aéreo sofrido.

Hamburgo, 1943



Hamburgo em 1943, após apenas 1 ataque aéreo.

24 outubro, 2006

Censurando adesivos


Em mais um exemplo explícito de um combate ferrenho à democracia, mais uma instituição federal se mete onde não deve.

Dessa vez foi a vez do TSE, numa decisão tirânica de vetar a circulação dos adesivos da campanha contra o candidato do PT à reeleição, Luis Inácio Lula da Silva.

Já que o motivo foi o "preconceito contra os deficientes físicos", criei um novo adesivo, que de preconceituoso não tem nada: é contra os burros mesmo.

Para visualizar, basta clicar na imagem acima.

29 setembro, 2006

Hemingway era criminoso de guerra


Pela foto parece tão bonzinho, não? Olhe bem para ele e depois leia a notícia abaixo.

Hemingway era criminoso de guerra, diz alemão
Escritor americano teria matado 122 prisioneiros alemães, segundo cartas reveladas por jornalista
Antonio Gonçalves Filho

Não pergunte por quem os sinos dobram. Eles certamente dobram pela segunda morte do escritor americano Ernest Hemingway (1899-1961), o mais novo caso de herói transformado em crápula após o escândalo Günter Grass. O autor alemão ainda teve tempo, em vida, de se retratar na autobiografia Descascando a Cebola por ter feito parte da Juventude Hitlerista e integrado a tropa de elite da Waffen-SS. Hemingway morreu intocado como o heróico correspondente de guerra que integrou o primeiro batalhão americano a marchar sobre as ruas de Paris após a vitória dos Aliados. Mas duas cartas em que o escritor confessa ter matado com prazer prisioneiros alemães na 2ª Guerra Mundial ameaçam manchar o nome de mais um Prêmio Nobel de Literatura (de 1954).

Se Grass jura não ter matado um único soldado durante o conflito mundial, Hemingway afirma com orgulho ter atirado contra prisioneiros desarmados, numa carta enviada em 27 de agosto de 1947 a seu editor Charles Scribner (1890-1952). Ela foi divulgada pelo jornalista alemão Rainer Schmitz, da revista Focus. Seu conteúdo é menos literário que a descrição do conflito ético entre o impetuoso brigadista Jordan e o indiferente Pablo, narrado no livro mais conhecido de Hemingway, Por Quem os Sinos Dobram.

Nessa carta, grosseira e sem meias-palavras, Hemingway afirma ter matado um 'chucrute' (como ele se refere, de maneira pejorativa, ao soldado alemão) que ousou desafiar sua força. 'Você não vai me matar, porque tem medo e pertence a uma raça de degenerados', teria dito o militar alemão a Hemingway, invocando a violação à Convenção de Genebra (como correspondente de guerra, Hemingway transgrediu a lei, armazenando armas e granadas em seu hotel parisiense). 'Você está errado, disse, e atirei três vezes, primeiro no estômago e depois na cabeça, fazendo cuspir seus miolos pela boca', escreve o autor de Adeus às Armas na carta.

Três anos depois, numa outra carta - ao professor Arthur Mizener (1907-1988), da Universidade de Cornell -, Hemingway volta a contar bravatas sobre sua atuação na guerra, descrevendo, em tom macabro, sua paixão homicida: 'Fiz alguns cálculos e posso afirmar com precisão ter matado 122 alemães.' Um deles, segundo o escritor, foi um jovem de 16 anos, baleado ao tentar fugir de bicicleta.

Evocar experiências de guerra com essa frieza não parece combinar com o escritor que deu ao mundo livros como O Velho e o Mar, mas pode explicar seu trágico fim em 2 de julho de 1961. Ele matou-se com um tiro de fuzil de caça. Culpa? Só Deus sabe.

http://www.estado.com.br/editorias/2006/09/29/int-1.93.9.20060929.10.1.xml

22 agosto, 2006

O que mais falta?

Algumas pessoas me acusam de ser muito negativo com relação ao ser humano. Acham que eu sou pessimista demais. Que eu deveria ser mais otimista e ver os lados positivos do homem.

Pois bem, há muito me revolta o nível dos legisladores do país. Eles nada mais são do que uma amostragem, uma representação do povo. Se eles estão lá, é porque teve o número de votos necessários para tal.

Agora, parece que foi longe demais:

Deputado federal pode ter molestado menor

A situação política do Brasil parece decair cada dia mais. Dessa vez, parece ter sido um pouco mais grave do quede costume. O Deputado federal Lupércio Ramos (PMDB-AM) foi denunciado no Supremo Tribunal Federal por atentado violento ao pudor e aborto provocado por terceiro. Ao que tudo indica, uma jovem de 14 anos que fazia faxina na casa do deputado foi obrigada a cometer atos libidinosos com o mesmo, ficando grávida. O procurador que fez a denúncia diz que o deputado sugeriu um aborto. Como a mãe e amenina discordaram, o deputado a levou a um médico com o intuito de “tomar vitaminas”. Depois de sedada, ela teria então sofrido o aborto.

O que mais falta?

03 agosto, 2006

Saudades...


Hoje, 03 de agosto, é o aniversário do meu pai, Carlos Wachholz. Em 2003, no dia 11, oito dias após o seu aniversário, ele faleceu precocemente, vítima de um AVC. Desde então eu penso com freqüência em sua vida e seu legado, mas hoje é um dia especial para reflexão.

Marido e pai dedicado e um raro exemplo de honestidade na vida pública, meu pai contribui substancialmente para a melhora da qualidade de vida da população de Blumenau. Ao ser indagado para integrar o secretariado do governo municipal de Vilson Kleinübing, especiaficamente para a pasta de Obras, meu pai o indagou: Qual a maior reclamação da população de Blumenau? Após ouvir a resposta - água -, ele quis presidir o SAMAE. O resto é História.

Assim ele era na sua vida pessoal. Obstinado, dedicado e, principalmente, humano.

E, atualmente, temos visto tantos exemplos de como um ser humano pode chegar no nível mais baixo de involução, de forma imoral e criminosa. Uma corja de políticos, eleito pela corja da população brasileira. Penso que se tivessem a mesma educação que recebi, talvez muitos dos problemas que temos não existiriam.

Mas hoje, quando penso nele, não fico triste. Fico feliz. Feliz de ter podido vivenciar uma experiência única, o convívio com ele.

[]s

02 agosto, 2006

A dura vida dos alemães logo depois da guerra


Esse texto foi postado em um comunidade do Orkut por uma amiga, a Vivi, e é uma matéria que saiu no site da Deutsche Welle. É algo que dificilmente se encontra publicado. Leia com atenção, pois vale a pena.

O sofrimento nos campos de prisioneiros, a miséria na cidade e no campo, famílias desmembradas e a difícil reconstrução imediatamente após a capitulação alemã, 60 anos atrás.

Milhões de metros cúbicos de entulho eram a única coisa que restou das metrópoles alemãs depois do final da Segunda Guerra Mundial. A reconstrução foi trabalho para as mulheres e crianças, pois os homens que sobreviveram à guerra ainda não haviam retornado para casa. Dos 20 milhões de alemães enviados às frentes de batalha, mais da metade encontravam-se em campos de prisioneiros em maio de 1945.

Um destes campos esteve localizado em Bretzenheim, no Estado da Renânia-Palatinado. Georg Cichon, prisioneiro dos franceses, lembra: "O acampamento não tinha nenhuma barraca. Dormíamos no chão e, quando chovia, na lama. Ficamos lá até outubro. Tropas marroquinas nos vigiavam. Quando estavam bêbados, começavam a atirar para dentro do campo. Os prisioneiros morriam em massa. Recebíamos uma fatia de pão branco por dia e um pouco de sopa rala."

Fome e epidemias eram rotina nos campos de prisioneiros, conta Cichon, que esteve confinado num campo francês, mas também conheceu outros. "Nem sempre, mas em geral os controlados pelos russos eram os piores. Os soldados pareciam dominados pelo ódio cego contra as crueldades praticadas pela Wehrmacht e pela SS", diz Cichon.

Também mulheres prisioneiras

Entre os 3,3 milhões de alemães vigiados pelos russos, estava a ajudante da artilharia antiaérea Margareta Schuster. Ela conseguiu escapar antes de ser transportada para os campos de trabalho forçado na então União Soviética. Margareta lembra que não havia espécie alguma de refúgio no campo: "Quando chovia, colocávamos folhas de ruibarbo na cabeça, para não nos molharmos".

A maioria dos alemães permaneceu presa apenas por um ano. Os últimos prisioneiros dos aliados ocidentais foram libertados em 1950. Mas quem estava nas mãos dos soviéticos sofreu mais: 1,3 milhão de prisioneiros morreram no cativeiro. Os primeiros só foram soltos em julho de 1946 e os últimos retornaram dos campos de trabalho forçado do norte da União Soviética em 1956.

Reconstruir, tarefa de Sísifo

Os bombardeios às cidades alemãs haviam deixado 20 milhões de desabrigados no país. Quatrocentos milhões de metros cúbicos de entulho tiram de ser removidos. Um comparativo para demonstrar a situação: dos 750 mil habitantes de Colônia antes da guerra, haviam restado 40 mil.

Era tarefa de mulheres e crianças transportar pedras, tijolos e outros materiais que ainda prestassem para a reconstrução. Onde não havia cavalos, eram as próprias mulheres que puxavam os carros carregados. Quem ajudasse, recebia maiores rações de alimentos. Estas mulheres passaram a ser conhecidas como "trümmerfrauen" (mulheres dos entulhos).

Casais separados durante longos anos, filhos que não conheciam os pais ou esposas que tiveram filhos com outros homens foram problemas comuns nesta época. Atender às famílias desmembradas foi tarefa, por exemplo, de Gerhard Körtner, da Igreja Evangélica Alemã. "Não se pode imaginar a quantidade de separações que houve naquele tempo. Os juizados estavam abarrotados de trabalho. Eu mesmo não consegui salvar nenhum casamento", lamenta.

Luta diária pela sobrevivência

Os alemães que resistiram à guerra são confrontados agora com a luta pela sobrevivência. O principal problema era a fome. O inverno rigoroso de 1946 para 1947 levou a crises no abastecimento de combustível e, conseqüentemente de alimentos. A insatisfação popular foi expressa em manifestações nas ruas.

O mercado negro e as vendas ilegais floriam, como narrou um repórter: "Adultos e crianças com sacolas nas mãos vendem principalmente cigarros, chocolate e café". Havia vales para alimentos, mas devido à escassez de comida eles não valiam o papel em que foram impressos. Como o Leste alemão, antes fornecedor de hortifrutigranjeiros, havia passado ao jugo polonês, não havia de onde tirar produtos agrícolas.

Neste aspecto, quem morasse no campo estava em vantagem, pois tinha condições de plantar e de criar animais. Isso não passou despercebido dos moradores urbanos. Ursula Mertlich, de Colônia, lembra-se que de manhã cedo sua mãe calçava os sapatões de alpinista para ir de agricultor a agricultor mendigar por batatas, pão, legumes ou ovos: "À noite, ela chorava de dor nas pernas, mas tínhamos o que comer".

Alguns agricultores dividiam, mas outros se aproveitavam da situação. Theo von Birgelen, com 10 anos de idade em 1945, morava numa área rural no extremo oeste alemão e lembra-se de vizinhos que exploravam os famintos e diziam: "Já temos tudo, só nos falta um tapete persa no estábulo".

Dinheiro sem valor

Num país onde tudo estava por ser reconstruído, também o dinheiro havia perdido o valor. O comércio funcionava na base do escambo, a troca de produtos ou serviços sem fazer uso de moeda.

Margareta Schuster, por exemplo, viajou vários anos seguidos para o interior, onde permanecia de seis a oito semanas, ajudando poloneses ou ucranianos na colheita. O problema era atravessar a fronteira de volta com os produtos recebidos como pagamento, pois isto era proibido nas quatro zonas de ocupação. Ela lembra: "O trem sempre parava em Rolandseck para o controle dos passageiros pelos soldados franceses. Era terrível quando tiravam tudo da gente e destruíam na nossa frente".

Ursula Mertlich também passou por experiência semelhante. "Os aliados não perdoavam. Ao chegarmos à estação ferroviária, já éramos esperados pela polícia militar norte-americana. Tínhamos de entregar tudo e seguir de mãos vazias", lamenta.

No inverno, o cobiçado carvão era escasso, pois o produto serviu aos aliados para compensar reparações de guerra. Desesperados, muitos alemães o roubavam dos vagões em que era transportado para fora do país. Margareta Schuster lembra que certa vez um grupo de pessoas fechou a cancela numa passagem de nível, obrigando o trem a parar. "Alguns subiram no vagão e jogaram o carvão para a gente apanhar lá embaixo", diz, e chora ao exibir uma reportagem feita 10 anos após o final da guerra, intitulada "Os ladrões de carvão em Colônia", em que aparece numa foto ao lado da mãe.

Deutsche Welle
http://www.dw-world.de/dw/article/0,1564,1573308,00.html

Ich hatt' einen Kameraden


Dando início ao blog Willens des Deutschesvolk, vou postar a letra dessa música, a qual explico mais abaixo:

"Ich hatt' einen Kameraden"
Ich hatt' einen Kameraden,
Einen bessern findst du nit.
Die Trommel schlug zum Streite,
Er ging an meiner Seite
|: In gleichem Schritt und Tritt. :|

Eine Kugel kam geflogen:
Gilt's mir oder gilt es dir?
Ihn hat es weggerissen,
Er liegt vor meinen Füßen
|: Als wär's ein Stück von mir :|

Will mir die Hand noch reichen,
Derweil ich eben lad'.
"Kann dir die Hand nicht geben,
Bleib du im ew'gen Leben
|: Mein guter Kamerad!" :|

Ludwig Uhland, 1809 (1787-1862)


Originalmente uma poesia de 1809, ganhou sua melodia em 1825 através de Friedrich Silcher, que por sua vez a tirou de uma canção folclórica antiga, cujo nome era "Ein schwarzbraunes Mädchen hat ein'n Feldjäger lieb".

O poema foi inspirado nos soldados que lutaram pela liberdade tirolesa contra o exército napoleônico.

Era bastante popular na WWI e embora tenha sido escrita no começo do século XIX, ela é usualmente tocada em memória aos veteranos das duas guerras e no dia dos veteranos alemães, conhecido como Volkstrauertag (sempre no terceiro domingo de Novembro). A música, letra e traduções podem ser achadas aqui: http://ingeb.org/Lieder/IchHattE.html

Sem dúvida, uma das músicas mais carregadas de emoção que eu já ouvi.

[]s