22 agosto, 2006

O que mais falta?

Algumas pessoas me acusam de ser muito negativo com relação ao ser humano. Acham que eu sou pessimista demais. Que eu deveria ser mais otimista e ver os lados positivos do homem.

Pois bem, há muito me revolta o nível dos legisladores do país. Eles nada mais são do que uma amostragem, uma representação do povo. Se eles estão lá, é porque teve o número de votos necessários para tal.

Agora, parece que foi longe demais:

Deputado federal pode ter molestado menor

A situação política do Brasil parece decair cada dia mais. Dessa vez, parece ter sido um pouco mais grave do quede costume. O Deputado federal Lupércio Ramos (PMDB-AM) foi denunciado no Supremo Tribunal Federal por atentado violento ao pudor e aborto provocado por terceiro. Ao que tudo indica, uma jovem de 14 anos que fazia faxina na casa do deputado foi obrigada a cometer atos libidinosos com o mesmo, ficando grávida. O procurador que fez a denúncia diz que o deputado sugeriu um aborto. Como a mãe e amenina discordaram, o deputado a levou a um médico com o intuito de “tomar vitaminas”. Depois de sedada, ela teria então sofrido o aborto.

O que mais falta?

03 agosto, 2006

Saudades...


Hoje, 03 de agosto, é o aniversário do meu pai, Carlos Wachholz. Em 2003, no dia 11, oito dias após o seu aniversário, ele faleceu precocemente, vítima de um AVC. Desde então eu penso com freqüência em sua vida e seu legado, mas hoje é um dia especial para reflexão.

Marido e pai dedicado e um raro exemplo de honestidade na vida pública, meu pai contribui substancialmente para a melhora da qualidade de vida da população de Blumenau. Ao ser indagado para integrar o secretariado do governo municipal de Vilson Kleinübing, especiaficamente para a pasta de Obras, meu pai o indagou: Qual a maior reclamação da população de Blumenau? Após ouvir a resposta - água -, ele quis presidir o SAMAE. O resto é História.

Assim ele era na sua vida pessoal. Obstinado, dedicado e, principalmente, humano.

E, atualmente, temos visto tantos exemplos de como um ser humano pode chegar no nível mais baixo de involução, de forma imoral e criminosa. Uma corja de políticos, eleito pela corja da população brasileira. Penso que se tivessem a mesma educação que recebi, talvez muitos dos problemas que temos não existiriam.

Mas hoje, quando penso nele, não fico triste. Fico feliz. Feliz de ter podido vivenciar uma experiência única, o convívio com ele.

[]s

02 agosto, 2006

A dura vida dos alemães logo depois da guerra


Esse texto foi postado em um comunidade do Orkut por uma amiga, a Vivi, e é uma matéria que saiu no site da Deutsche Welle. É algo que dificilmente se encontra publicado. Leia com atenção, pois vale a pena.

O sofrimento nos campos de prisioneiros, a miséria na cidade e no campo, famílias desmembradas e a difícil reconstrução imediatamente após a capitulação alemã, 60 anos atrás.

Milhões de metros cúbicos de entulho eram a única coisa que restou das metrópoles alemãs depois do final da Segunda Guerra Mundial. A reconstrução foi trabalho para as mulheres e crianças, pois os homens que sobreviveram à guerra ainda não haviam retornado para casa. Dos 20 milhões de alemães enviados às frentes de batalha, mais da metade encontravam-se em campos de prisioneiros em maio de 1945.

Um destes campos esteve localizado em Bretzenheim, no Estado da Renânia-Palatinado. Georg Cichon, prisioneiro dos franceses, lembra: "O acampamento não tinha nenhuma barraca. Dormíamos no chão e, quando chovia, na lama. Ficamos lá até outubro. Tropas marroquinas nos vigiavam. Quando estavam bêbados, começavam a atirar para dentro do campo. Os prisioneiros morriam em massa. Recebíamos uma fatia de pão branco por dia e um pouco de sopa rala."

Fome e epidemias eram rotina nos campos de prisioneiros, conta Cichon, que esteve confinado num campo francês, mas também conheceu outros. "Nem sempre, mas em geral os controlados pelos russos eram os piores. Os soldados pareciam dominados pelo ódio cego contra as crueldades praticadas pela Wehrmacht e pela SS", diz Cichon.

Também mulheres prisioneiras

Entre os 3,3 milhões de alemães vigiados pelos russos, estava a ajudante da artilharia antiaérea Margareta Schuster. Ela conseguiu escapar antes de ser transportada para os campos de trabalho forçado na então União Soviética. Margareta lembra que não havia espécie alguma de refúgio no campo: "Quando chovia, colocávamos folhas de ruibarbo na cabeça, para não nos molharmos".

A maioria dos alemães permaneceu presa apenas por um ano. Os últimos prisioneiros dos aliados ocidentais foram libertados em 1950. Mas quem estava nas mãos dos soviéticos sofreu mais: 1,3 milhão de prisioneiros morreram no cativeiro. Os primeiros só foram soltos em julho de 1946 e os últimos retornaram dos campos de trabalho forçado do norte da União Soviética em 1956.

Reconstruir, tarefa de Sísifo

Os bombardeios às cidades alemãs haviam deixado 20 milhões de desabrigados no país. Quatrocentos milhões de metros cúbicos de entulho tiram de ser removidos. Um comparativo para demonstrar a situação: dos 750 mil habitantes de Colônia antes da guerra, haviam restado 40 mil.

Era tarefa de mulheres e crianças transportar pedras, tijolos e outros materiais que ainda prestassem para a reconstrução. Onde não havia cavalos, eram as próprias mulheres que puxavam os carros carregados. Quem ajudasse, recebia maiores rações de alimentos. Estas mulheres passaram a ser conhecidas como "trümmerfrauen" (mulheres dos entulhos).

Casais separados durante longos anos, filhos que não conheciam os pais ou esposas que tiveram filhos com outros homens foram problemas comuns nesta época. Atender às famílias desmembradas foi tarefa, por exemplo, de Gerhard Körtner, da Igreja Evangélica Alemã. "Não se pode imaginar a quantidade de separações que houve naquele tempo. Os juizados estavam abarrotados de trabalho. Eu mesmo não consegui salvar nenhum casamento", lamenta.

Luta diária pela sobrevivência

Os alemães que resistiram à guerra são confrontados agora com a luta pela sobrevivência. O principal problema era a fome. O inverno rigoroso de 1946 para 1947 levou a crises no abastecimento de combustível e, conseqüentemente de alimentos. A insatisfação popular foi expressa em manifestações nas ruas.

O mercado negro e as vendas ilegais floriam, como narrou um repórter: "Adultos e crianças com sacolas nas mãos vendem principalmente cigarros, chocolate e café". Havia vales para alimentos, mas devido à escassez de comida eles não valiam o papel em que foram impressos. Como o Leste alemão, antes fornecedor de hortifrutigranjeiros, havia passado ao jugo polonês, não havia de onde tirar produtos agrícolas.

Neste aspecto, quem morasse no campo estava em vantagem, pois tinha condições de plantar e de criar animais. Isso não passou despercebido dos moradores urbanos. Ursula Mertlich, de Colônia, lembra-se que de manhã cedo sua mãe calçava os sapatões de alpinista para ir de agricultor a agricultor mendigar por batatas, pão, legumes ou ovos: "À noite, ela chorava de dor nas pernas, mas tínhamos o que comer".

Alguns agricultores dividiam, mas outros se aproveitavam da situação. Theo von Birgelen, com 10 anos de idade em 1945, morava numa área rural no extremo oeste alemão e lembra-se de vizinhos que exploravam os famintos e diziam: "Já temos tudo, só nos falta um tapete persa no estábulo".

Dinheiro sem valor

Num país onde tudo estava por ser reconstruído, também o dinheiro havia perdido o valor. O comércio funcionava na base do escambo, a troca de produtos ou serviços sem fazer uso de moeda.

Margareta Schuster, por exemplo, viajou vários anos seguidos para o interior, onde permanecia de seis a oito semanas, ajudando poloneses ou ucranianos na colheita. O problema era atravessar a fronteira de volta com os produtos recebidos como pagamento, pois isto era proibido nas quatro zonas de ocupação. Ela lembra: "O trem sempre parava em Rolandseck para o controle dos passageiros pelos soldados franceses. Era terrível quando tiravam tudo da gente e destruíam na nossa frente".

Ursula Mertlich também passou por experiência semelhante. "Os aliados não perdoavam. Ao chegarmos à estação ferroviária, já éramos esperados pela polícia militar norte-americana. Tínhamos de entregar tudo e seguir de mãos vazias", lamenta.

No inverno, o cobiçado carvão era escasso, pois o produto serviu aos aliados para compensar reparações de guerra. Desesperados, muitos alemães o roubavam dos vagões em que era transportado para fora do país. Margareta Schuster lembra que certa vez um grupo de pessoas fechou a cancela numa passagem de nível, obrigando o trem a parar. "Alguns subiram no vagão e jogaram o carvão para a gente apanhar lá embaixo", diz, e chora ao exibir uma reportagem feita 10 anos após o final da guerra, intitulada "Os ladrões de carvão em Colônia", em que aparece numa foto ao lado da mãe.

Deutsche Welle
http://www.dw-world.de/dw/article/0,1564,1573308,00.html

Ich hatt' einen Kameraden


Dando início ao blog Willens des Deutschesvolk, vou postar a letra dessa música, a qual explico mais abaixo:

"Ich hatt' einen Kameraden"
Ich hatt' einen Kameraden,
Einen bessern findst du nit.
Die Trommel schlug zum Streite,
Er ging an meiner Seite
|: In gleichem Schritt und Tritt. :|

Eine Kugel kam geflogen:
Gilt's mir oder gilt es dir?
Ihn hat es weggerissen,
Er liegt vor meinen Füßen
|: Als wär's ein Stück von mir :|

Will mir die Hand noch reichen,
Derweil ich eben lad'.
"Kann dir die Hand nicht geben,
Bleib du im ew'gen Leben
|: Mein guter Kamerad!" :|

Ludwig Uhland, 1809 (1787-1862)


Originalmente uma poesia de 1809, ganhou sua melodia em 1825 através de Friedrich Silcher, que por sua vez a tirou de uma canção folclórica antiga, cujo nome era "Ein schwarzbraunes Mädchen hat ein'n Feldjäger lieb".

O poema foi inspirado nos soldados que lutaram pela liberdade tirolesa contra o exército napoleônico.

Era bastante popular na WWI e embora tenha sido escrita no começo do século XIX, ela é usualmente tocada em memória aos veteranos das duas guerras e no dia dos veteranos alemães, conhecido como Volkstrauertag (sempre no terceiro domingo de Novembro). A música, letra e traduções podem ser achadas aqui: http://ingeb.org/Lieder/IchHattE.html

Sem dúvida, uma das músicas mais carregadas de emoção que eu já ouvi.

[]s