21 julho, 2008

Criminosos Ingleses

Os americanos optaram pelos bombardeios estratégicos diurnos, mesmo estes envolvendo enormes riscos, enquanto os ingleses optaram pelos bombardeios noturnos cujos objetivos deliberados eram os civis, nos seus "tapetes de bombas".

Eaker(general Ira C. Eaker, Americano) rechaçou energicamente a petição inglesa de que as suas fortalezas voadoras tomassem parte nos ataques nocturnos britânicos contra as cidades alemãs. A isto se deve que o plano conjunto aliado de ofensiva aérea contra a Alemanha se levasse a cabo de noite pelos ingleses e, de dia, pelos americanos. Cada um estava convencido que tinha razão e que seu aliado estava enganado; deste modo, cada um podia “sair-se com a sua”: o general Eaker com os seus bombardeamentos diurnos, e o marechal Harris com os nocturnos.

Este trecho está no livro “A História da Luftwaffe”, de Cajus Bekker (1964), nas páginas 384 e 385. O livro continua:

Sir Arthur Harris (...) foi nomeado chefe do Comando de Bombardeio da RAF, em 22 de Fevereiro de 1942. Ao tomar conta do seu novo cargo, encontrou uma ordem do Ministério da Guerra britânico segundo a qual a ofensiva de bombardeamento contra a Alemanha devia levar-se a cabo “sem limites”. Com isso tinha-se atravessado um umbral que não admitia retrocessos.

Ainda do livro “A História da Luftwaffe”:

O então sub-secretário do Ministério do Ar, J. M. Spaight, escreve no seu livro publicado em 1944 ‘Bombing Vindicated’ (‘Justificação do Bombardeamento’):

A acção dos bombardeios, foi levada a cabo contra o critério francês. Fomos nós que começamos a bombardear objectivos na Alemanha, antes que os alemães o fizessem em Inglaterra. Este é um facto histórico... Com isso, escolhemos o melhor caminho mas o mais duro. Enquanto que por um lado castigávamos as cidades alemãs, reivindicávamos o direito de manter intactas as nossas... Não existe uma certeza absoluta, mas parece muito verossímil que os alemães não teriam bombardeado Londres e as zonas industriais, se nós nos tivéssemos abstido de bombardear o seu país... Esta orientação da guerra aérea não era demasiada atraente.

Este texto está nas páginas 385 e 386 do livro citado.

Tendo isto em mente, lembremos que a primeira bomba alemã jogada em Londres foi devido a um erro de navegação de um avião alemão apenas, fora do perímetro urbano e nenhuma instalação, industrial ou não, atingiu. A isso, seguiu-se o bombardeio noturno inglês de objetivos civis alemães. Isto está bem registrado também e corroborado pelas palavras de Spaight.

E segue a condução criminosa dos bombardeios ingleses:

Para desvanecer qualquer erro ou dúvida, o chefe do Estado Maior da RAF, marechal-do-ar, Sir Charles Portal, escreveu pelo seu próprio punho um aviso em que dizia que o verdadeiro objectivo não eram somente os estaleiros e as fábricas de aviões, mas também os bairros densamente povoados das cidades.” – página 387.

Daí a sua famosa frase: “Isto deve ficar completamente esclarecido, se é que ainda há quem o não tenha compreendido.

E mais:

Os patrocinadores do “Bombardeio Indiscriminado” viram nele (Sir Arthur Harris) o homem mais adequado para levar a cabo os seus planos até as últimas conseqüências. Por fim, a RAF, como se dizia nessa altura, “tinha tirado as luvas”.” – página 387.

(...)

De noite, carecia-se da suficiente precisão para atacar objectivos militares, mas não se tentava atacá-los, e sim bombardear grandes superfícies. Cidades inteiras seriam arrasadas.

À exceção de Essen – escrevia o marechal Harris – nunca escolhemos uma determinada instalação industrial como objectivo dos nossos bombardeamentos nocturnos. A destruição de fábricas vinha a ser como uma espécie de prêmio extraordinário que nos era dado por acréscimo. O nosso verdadeiro objectivo era sempre o núcleo populacional, o interior das cidades.” – página 389.

(...)

O marechal Harris interpreta assim as directrizes de Casablanca: “Depois da conferência de Casablanca desapareceram os meus últimos escrúpulos e dei-me inteira liberdade para o bombardeio.” – página 390.

(...)

“É certo que muitas cidades alemães estavam em ruínas, mas... tinha-se conseguido atingir o objectivo previsto? Tinha-se conseguido abater a resistência moral do povo alemão? Nada disso! Depois dos últimos ataque que foram levados a cabo, especialmente o efectuado contra Aquisgran em 13 de Julho, efectuou-se uma pausa. Era evidente que a RAF estava a repor-se e a tomar alento. Harris preparava-se para o maior dos seus golpes.
” – página 392, referindo-se a Hamburgo e sua destruição, chamada pretensiosamente de “Operação Gomorra”.

Com ou sem Dresden, toda a campanha inglesa de bombardeamento noturno foi um crime, do início ao fim.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Será?

12:55 PM  

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